segunda-feira, abril 11, 2005

A verdadeira razão de existirem musas

Hoje em dia se tem o hábito de dizer que tal pessoa inspirou alguém em algum trabalho e até deu algo de sua essência para fazer um autor conceber uma bela personagem. Mas qual é a verdade nisso?

Sabemos que a maioria dos autores (principalmente homens) usam personagens femininas para expressar um ideal de mulher, seja ela a perfeição encarnada ou aquela que represente um ideal de mãe, sendo dedicada, atenciosa e amorosa conosco. Muitos podem até dizer que isso não passa de fantasia pura e simples, que não há mulher perfeita e amor é para os tolos. Sabemos que concordamos com isso, mas nos damos a liberdade de criar um ideal de mulher que é perfeita para nós naquela circunstância e momento e não significa que será daquele jeito a vida toda.

Hoje em dia os autores se esquecem de criar personagens femininas com características de mulher, como maior dedicação aos seus objetivos, obstinação e um grande poder de observação, compreendendo o mundo de uma forma mais sensível. Infelizmente, para os insensíveis de plantão, lembrem-se: os bons autores sempre são grandes observadores da condição humana e de seus defeitos e qualidades, não se atendo a apenas o mito arraigado hoje em dia que as mulheres devem se igualar aos homens, o que pode ser uma violência, pois o que torna os sexos tão interessantes uns aos outros é exatamente suas diferenças (lógico que não se está aqui defendendo a opressão ao sexo oposto, mas sim uma interação) e alguém apaixonado pelas diferenças e contradições que todos nós, humanos apresentamos reconhece que tudo que nos cerca é um grande laboratório.

Voltando ás musas, por que os autores gostam tanto de exaltá-las?

Uns dirão que o autor é frustrado e quer um ideal que não existe, outros dirão que é um machista que enxerga sua personagem como uma massa sem cérebro ou até os mais exaltados dirão que não tem sensibilidade para conhecer uma fêmea de verdade.

O que realmente acontece é as pessoas estão se esquecendo de conhecer melhor uma as outras e com as musas não é diferente. Todos querem idealizar, mas não querem conhecer. Eu, como roteirista, quando me apaixono por uma personagem feminina tenho em mente não só meu sentimento com relação á ela, mas gosto de lhe transmitir características femininas, não apenas os clichês de personagem boazuda ou disponível 24 horas para seu mestre (se é pra isso, escrevo hentai, já que serve pra esse propósito mesmo) ou até o que eu abomino, a chamada “maria-homem” que só falta pegar touro á unha e comer o bife do pobre animal ainda sangrando. Tenho em mente que nem as mulheres gostam de serem retratadas assim...

E foi lendo um fanfic da Internet que me dei conta que nossos pobres roteiristas (me incluo nessa categoria, lógico) ainda querem um grande amor literário com tramas mirabolantes quando na verdade podem ter excelentes histórias apenas observando as pessoas que lhe inspiram a fazer algo de útil em suas vidas, como suas amigas, namoradas ou mães.

Enfim, aqui vai um conselho: não procure pela princesa encantada quando a gata borralheira ao lado pode lhe trazer bem mais felicidade.

Ricardo Bomfim é roteirista e observador. Recomenda para leitura (se você lê em inglês, mas se não souber, peça para alguém traduzir) o excelente trabalho de um desenhista filipino chamado Bleedman no site: http://bleedman.snafu-comics.com/

2 comentários:

Anônimo disse...

No se, llamadme pervertido si quereis, pero ESTE es el mejor video que he visto...

Anônimo disse...

No se, llamadme pervertido si quereis, pero ESTE es el mejor video que he visto...